Com que frescor estamos olhando para as coisas ao redor?

image

Nós, aqui do Cinese, estamos fazendo um curso guiado pelo Fábio Rodrigues, do oLugar, projeto de transformação coletiva, chamado Cultivating Emotional Balance (CEB). O programa rola agora em agosto/setembro e foi desenvolvido originalmente pelo Paul Ekman e Alan Wallace, compreendendo um conjunto de métodos que integra conhecimentos da psicologia moderna sobre as emoções humanas e práticas contemplativas milenares para acessar e trabalhar o mundo interno. 

Cada aula foca em um dos quatro equilíbrios e traz teoria e práticas meditativas como proposta de desenvolver aquele equilíbrio específico.

No último encontro, falando sobre equilíbrio cognitivo, o Fábio trouxe à tona a base conceitual de algo que vemos rolando na prática o tempo todo no site:

Equilíbrio cognitivo tem a ver com não solidez, com fluidez, interesse e curiosidade. Tem a ver com enxergar a realidade inteira com certo frescor, ludicidade e leveza. É aprender a entender a multiplicidade da realidade: aquilo que vejo, que experiencio, só é aquilo pra mim porque acoplo uma série de interpretações, sentidos e teorias individuais. Pra outra pessoa, aquela realidade é diferente. Precisamos saber disso. É um erro cognitivo, ingenuidade, acharmos que tudo aquilo que sentimos, nossas impressões sobre algo, são qualidades inerentes ao objeto, à experiência.

Na hora, a luz acendeu. Conectamos essa noção com muita coisa bonita que tem acontecido a nossa volta. Pessoas, movimentos, ações e intervenções - todas ligadas, de algum modo, com essa ideia de enxergar pra além de visões prontas, habituais e rotineiras, reganhar o brilho, a curiosidade, a abertura e a lucidez nas coisas mais simples.

Daí nos surgiu a ideia de conectar aprendizados como esses - que ganhamos com as falas do Fábio - e a realidade presente, que vivemos no Cinese junto de pessoas incríveis. Resolvemos listar aqui projetos e movimentos lindos que usam a plataforma pra ganhar vida e se organizar:

O tipo de empresa que você quer ter fala do tipo de pessoa que você quer ser.

image

Há quase um ano, aqui no Cinese, entendemos o seguinte: não somos nem seremos uma empresa tradicional. Também não somos nem seremos uma startup. Nosso caminho é outro.

Aceitamos, depois de vários mergulhos internos, que a nossa finalidade não é o lucro. Olhamos torto para a palavra escala e trucamos a ideia de crescimento rápido. Foi duro, sofrido, mas entendemos que o que estamos tentando construir é uma outra noção de empresa, pautada em valores humanos, conectada em rede, e que faça real sentido para as pessoas que trabalham aqui, do modo mais amplo possível: que seja meio hábil de florescimento delas.

É com isso tudo que o Cinese tem a ver, na essência. Ele nasceu por um descontentamento grande com como as coisas funcionam hoje: o sistema tradicional de ensino, o mercado de trabalho. Queremos fazer parte da construção de uma nova sociedade, e isso passa, certeiramente, pelo modo como trabalhamos, como direcionamos o Cinese como negócio.

Dentro desse rumo, uma das coisas mais importantes que decidimos por aqui foi que não podemos estar a serviço do Cinese, da empresa. Ela é que deve estar a nosso serviço. Pois é.

Decidimos que nos dedicaremos ao Cinese na medida que ele viabilize nossos sonhos e nos permita crescer, aprender. Ora, é o que propomos para as pessoas com a ideia de aprendizagem colaborativa, troca de conhecimento. Nada mais coerente que o mesmo valer para nós mesmos, aqui dentro.

Além de tentar seguir com isso sempre em mente, a cada decisão que tomamos, resolvemos também implementar algumas mudanças bem práticas, que nos ajudam a criar e cultivar essa cultura no dia a dia.

As coisas que a escola ensina no campo sutil

image

Anna Haddad

Não sou mãe, ainda. E longe de mim querer condenar os milhões de pais que fazem o que podem (e o que não podem também) pela educação dos filhos, tentando sempre acertar.

Mas a verdade é que ando vendo muitos pais se embananando nessa jornada, na melhor das intenções.

Cuidam com afinco do que acontece dentro de casa, estabelecem princípios, tentam transmitir valores, e, ao mesmo tempo, analisam a “escola ideal” com parâmetros racionais um tanto arbitrários e insuficientes: essa pedagogia faz sentido, lá tem ótimos professores, currículo forte, aprova no vestibular, garante vagas no ensino médio das melhores escolas de São Paulo, e ainda é pertinho de casa.

Não que tudo isso não faça sentido. Acredito mesmo que a pedagogia pode fazer uma enorme diferença e que uma escola perto de casa, principalmente em cidades como São Paulo, pode dar aos pais horas preciosas com o filho depois do dia de trabalho.

Acontece que esses pais esquecem de olhar com atenção para as questões sutis - e eu ouso dizer, as mais importantes - que pairam naquele ambiente escolar. Quem está ali? Quem forma aquela comunidade? Qual é a cultura legítima transmitida, expressa ou tacitamente, naquele entorno? Quais as bases fundamentais daquelas pessoas? 

O que fazemos no Cinese?

image

Anna Haddad

Boa pergunta, rapaz. 

O Cinese tem dois anos. Um neném, e, ao mesmo tempo, uma empresa que cresce, caminha, amadurece e muda com a gente, Anna, Camila e Giovana.

A plataforma nasceu da nossa insatisfação com a forma tradicional de aprender e ensinar. Todos nós, durante a nossa vida acadêmica, nas escolas, nas universidades - e mesmo depois - nos cursos, MBAs, pós, mestrados e extensões (e ainda que dentro de ambientes mais descolados como as escolas criativas), aprendemos em um sistema one-to-many, aluno-professor, sem muita abertura ou interação. Uma pessoa (o professor) é a detentora oficial do conhecimento e impede o fluxo de trocas bem ricas entre todas as outras. As pessoas não se conectam, não se identificam, não trocam o quanto poderiam. Se fazem, é fora da sala, nos intervalos e corredores. Por fim, se dá pouca importância para o processo, para a caminhada e os aspectos sutis da aprendizagem. O importante é o resultado. E daí as provas, testes, teses, notas e tudo o mais.

Dicas mágicas aos organizadores de encontro

image

Todos os dias, a Zizi recebe vários emails com perguntas dos organizadores de encontro sobre a plataforma e sobre como fazer um encontro que funcione bem.

Estamos organizando um manual bem prático com dicas bacanas, mas, enquanto isso, resolvemos contar aqui quais são os pontos cruciais de serem lembrados na hora de fazer uma oficina, workshop, roda de papo, etc e tal.

Vamos lá. Atenção pras dicas da Zizi:

1. A regra de ouro, e que quase todo mundo ignora, é a seguinte: construa seu encontro com as pessoas. Isso mesmo. Não adianta você achar que a sua oficina vai ser interessante pra elas, elaborar um conteúdo todo bonitão, meter um preço bacanudo e colocar no ar. Abra a ideia nas redes, busque interessados, colha opiniões, cocrie. Assim, quando seu encontro nascer, ele já vai ser uma vontade compartilhada por mais gente e tem muito mais chance de ter sucesso.

2. Ao colocar o encontro no ar, seja caprichoso. Escolha um bom título (curto, significativo e claro), uma boa foto (que represente o encontro e que tenha boa qualidade) e faça uma descrição cuidadosa e organizada. Lá, conte qual é a ideia do encontro, a que ele se propõe e a quem se destina. Melhor sempre falar mais do que menos. :)

3. Se lembre sempre de preencher seu perfil na plataforma com foto e coisas significativas sobre você. Quem você é, onde mora, o que faz, quais seus interesses, etc. Assim, quem tiver curioso com seu encontro vai poder te conhecer melhor pelo perfil e ganhar a confiança que faltava pra se inscrever logo.

4. Escolha um local para o encontro que tenha a ver com a proposta e agregue algo: rede, conhecimento, valor real ou percebido. Somar e incluir é super importante pra que o encontro dê certo. Pra que ele ser só seu se ele pode fazer sentido pra mais pessoas também e reverberar em novas redes?