Dicas mágicas aos organizadores de encontro

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Todos os dias, a Zizi recebe vários emails com perguntas dos organizadores de encontro sobre a plataforma e sobre como fazer um encontro que funcione bem.

Estamos organizando um manual bem prático com dicas bacanas, mas, enquanto isso, resolvemos contar aqui quais são os pontos cruciais de serem lembrados na hora de fazer uma oficina, workshop, roda de papo, etc e tal.

Vamos lá. Atenção pras dicas da Zizi:

1. A regra de ouro, e que quase todo mundo ignora, é a seguinte: construa seu encontro com as pessoas. Isso mesmo. Não adianta você achar que a sua oficina vai ser interessante pra elas, elaborar um conteúdo todo bonitão, meter um preço bacanudo e colocar no ar. Abra a ideia nas redes, busque interessados, colha opiniões, cocrie. Assim, quando seu encontro nascer, ele já vai ser uma vontade compartilhada por mais gente e tem muito mais chance de ter sucesso.

2. Ao colocar o encontro no ar, seja caprichoso. Escolha um bom título (curto, significativo e claro), uma boa foto (que represente o encontro e que tenha boa qualidade) e faça uma descrição cuidadosa e organizada. Lá, conte qual é a ideia do encontro, a que ele se propõe e a quem se destina. Melhor sempre falar mais do que menos. :)

3. Se lembre sempre de preencher seu perfil na plataforma com foto e coisas significativas sobre você. Quem você é, onde mora, o que faz, quais seus interesses, etc. Assim, quem tiver curioso com seu encontro vai poder te conhecer melhor pelo perfil e ganhar a confiança que faltava pra se inscrever logo.

4. Escolha um local para o encontro que tenha a ver com a proposta e agregue algo: rede, conhecimento, valor real ou percebido. Somar e incluir é super importante pra que o encontro dê certo. Pra que ele ser só seu se ele pode fazer sentido pra mais pessoas também e reverberar em novas redes?

Olha Celso! Tem lojinha!

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Renata Velloso

Estávamos no Alaska. Após chegarmos na capital, Juneau, uma cidade acessível apenas por água e ar, pegamos um hidroavião até uma pequena pousada onde nos foi servido um salmão fresco pescado na hora. O melhor peixe que eu comi na vida. A exuberância da natureza em volta era de emocionar. Geleiras glaciais imensas rasgavam montanhas rodeadas pro florestas e água azul turquesa. Nem se eu fosse Guimarães Rosa  conseguiria descrever tanto deslumbramento.

Mas aí veio a frase do título, gritada em bom português, bem lá, naquele santuário. Sim, tinha lojinha.

Na verdade era uma barraquinha com pouco mais de um metro quadrado onde se podia comprar ursinhos de pelúcia feitos na China com o logotipo da pousada, alguns cartões postais e camisetas que poderiam estar escritas “estive num dos lugares mais maravilhosos da terra e mesmo assim gastei em tranqueira”.

Vivemos em um mundo materialista.

A experiência, por mais fantástica que seja não parece suficiente. É preciso materializar aquilo com consumo. A excitação na voz da mulher do Celso não deixava dúvidas: fazemos parte de uma sociedade que precisa “pegar” para sentir. Precisa possuir ou não é feliz.

Poesia não é literatura, é um estado mental

Renata Roquetti

Poesia. As pessoas ouvem e arrepiam: ou pensam que é bonito, mas está muito distante da realidade do dia a dia, ou pensam que é besteira de autor, de sonhador.

É comum ouvir um categórico “eu não sei”, “não conheço”, “não consigo”, quando o assunto é escrever poesia.

Mas a verdade é que dá pra andar pelas ruas, todos os dias, olhar para os lados e perceber, entender, enxergar poesia. Só tem que estar vestindo os óculos certos.

Pra mim, as coisas mudaram quando entendi que poesia era muito menos uma prática literária e muito mais um jeito de ver o mundo. De levar as coisas, de pensar e andar por aí. 

Esse jeito está ligado à abertura, presença e sensibilidade. Não a um olhar infantil, imaturo e sonhador, como todo mundo pensa. Tem a ver com empatia, atenção, flexibilidade.

E praticar poesia na rotina, na vida, nos ajuda em muita coisa. Nos ajuda a alimentar esse estado mental de fluidez.

O que se perdeu na nossa relação com a comida?

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Mariana Pellicciari

Falamos muito sobre alimentação. O tempo todo. Só que a conversa gira mais em torno de “o que” estamos comendo e não muito de “como” estamos comendo ou “quem” está fazendo a nossa comida.

Tentamos entender as funcionalidades de cada grupo alimentar e decifrar as complicadas tabelas nutricionais para decidir o que tirar do prato. Queremos eficiência, melhorar a nossa performance (de forma rápida de preferência) e pra isso terceirizamos soluções prontas. Assim, o pacotinho no supemercado que nos prometer o que “precisamos”, depois de uma análise quase técnica, vai com a gente pra casa.

Com isso vamos nos esquecendo do essencial para essa relação ser realmente saudável: comer comida de verdade, feita por pessoas e compartilhada em comunidade.

Nós somos os animais que cozinham

Cozinhar nos diferenciou de outras espécies e criou hábitos que repetimos até hoje. Por exemplo, quando o Jamie Oliver dos homo erectus começou a preparar alimentos utilizando o fogo, criamos um ritual: pra se alimentar, passou a ser preciso que um grupo se juntasse, se organizasse e dividisse tarefas, pra que o alimento ficasse pronto e fosse dividido igualmente entre todos. Assim nasceram as refeições e passamos a nos reunir pra comer.

A relação entre a evolução do preparo dos alimentos e a evolução da nossa espécie é bastante direta. Por exemplo, quando as ancestrais das panelas foram criadas, ampliamos a expectativa de vida de quem perdia os dentes no processo alimentar. Por isso, voltar a comer comida de verdade e cozinhar o próprio alimento pode ser a chave pro resgate da vida em comunidade, aumento da sustentabilidade de hábitos e relações, e melhora da nossa perspectiva de sobrevivência

Refeição como forma de criar conexões

Comer e cozinhar, por natureza são atos sociais. E hoje em dia não faltam lugares para fazermos uma boa refeição na companhia de alguém. Mas esses lugares não nos ajudam a transformar estranhos em amigos, não nos ajudam a parar, respirar, nos conectar com outros.

O foco está mais na decoração, no telão com um bom clipe ou em modinhas gastronômicas do que nas oportunidades de aprofundarmos relações. Os clientes deixam os restaurantes da mesma forma como entraram, tendo reafirmado divisões tribais existentes.

A proximidade exigida por uma refeição compartilhada como passar as travessas, os guardanapos ou até entregar o saleiro a alguém pode ser uma oportunidade de estreitar laços. Comer em conjunto pode ser um modo de celebrar a nossa conexão com o mundo e com os outros. Faz com que o ato de comer saia do automático e seja uma oportunidade pra vermos muita coisa, interna e externa, e alimentarmos também nosso senso de comunidade.

Vamos experimentar?

Pensando em tudo isso, um grupo de pessoas incríveis, ligadas à várias áreas diferentes (gastronomia, redes, comunicação, etc), se juntou pra propor experiências que valorizem as coisas sutis realmente importantes no mundo das comidas. Deram pra essas experiências o apelido carinhoso de “Cook Labs”.

A ideia é tentar resgatar um bocado o senso de comunidade, troca e conexão que geralmente gira em torno das refeições e que acabamos perdendo no meio do caminho, nesse mundo de extrema vida privada e tempo contado no relógio.

Para próximo encontro, vamos preparar em grupo uma refeição completa, pra ser compartilhada entre os participantes e servida num clima super gostoso e propício pra as trocas, conversas e encontros. Informalidade pra nos aproximar das comidas e uns dos outros, ou seja, nada de protocolos, gourmetização e essas outras coisas que vemos por ai.

Vamos?

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Dia 4 de junho, a partir das 19h30, na Rua Laboriosa, n. 89, Vila Madalena.

Inscrições aqui. :)

Se quiser saber mai sobre esse papo de comida e gente:

- Michael Pollan | Cooked: A Natural History of Transformation

- Allain de Botton | Religião para Ateus

 

Cosméticos do bem: caminhos das pedras

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 Giovana Camargo

Já falamos um pouco, aqui e aqui, sobre o paradigma atual de saúde e sobre os produtos que compramos e usamos diariamente. Mas, depois dos dois lindos encontros que organizamos em parceria com a Alva Nutricosméticos, decidimos facilitar a vida de quem quer colocar em prática todas as soluções que encontramos e sugerimos. Porque, depois da pílula vermelha, vem sempre o caminho das pedras.

Produtos de beleza e higiene são usados de forma contínua, todos os dias. Com o desenvolvimento da indústria química passamos a entrar em contato com substâncias que nunca existiram antes (não existem na natureza). E se essas substâncias não são adequadamente metabolizadas e eliminadas, acabam se acumulando em nosso corpo. É esse efeito cumulativo que nos traz riscos potenciais.

Um homem usa, em média, 6 produtos de higiene pessoal por dia, e a mulher, 12, o que significa uma exposição a cerca de 168 substâncias químicas diferentes todos os dias. Nosso corpo pode até conseguir lidar com pequenas quantidades de uma determinada toxina, mas muitas “pequenas quantidades” juntas acabam potencializando a toxicidade uma da outra, daí o efeito sinérgico.

Mas que raios de substâncias são essas e o que elas causam?

Hoje, cerca de 80.000 produtos químicos estão em uso comercial. Na indústria de cosméticos, menos de 20% desses químicos foram devidamente testados quanto à segurança para a nossa saúde. Dentre os testados, alguns são permitidos - em pequenas quantidades - mesmo demonstrando efeitos adversos. Aí vão alguns exemplos de ingredientes do mal: