Educação além da escola: cidadão do mundo.

 

Neste final de semana, estou em Mayapur, a maior comunidade Hare Khrsina (ISKON) do mundo que está a 130 Km de Cálcuta – Índia. Um bom lugar para escrever um post para o Cinese. O objetivo dessa viagem é a busca de paz e encerrar a Guerra que existe entre meu cérebro e coração. Mas para esse post pensei em um tema diferente: a educação.

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Quando criança, sempre associei educação à tirar notas boas na sala de aula, me comportar bem e principalmente nunca ser chamado para a reunião de pais que sempre acontecia quando o professor não conseguia mais gerenciar a classe. “Chamem os pais.” Dizia a professora. Todos ficavam aterrorizados. Na minha adolecência percebi que educação além daquela que todos deveriam receber em casa, agora era estudar todas as matérias para passar no vestibular e futuramente conseguir um trabalho estável e ser capaz de dar a [mesma] educação necessária para os filhos.

Após completar todos esses estágios, descobri que minha educação estava incompleta. Para falar a verdade, embora tenha Ensino Superior Completo, me considero bastante ignorante, um dos motivos para sair da minha zona de conforto e descobrir o que existe lá fora. Por isso, decidi pedir demissão de meu trabalho estável no Brasil para começar a conhecer o mundo começando pela Índia, um sonho que eu sempre tive.

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Mesmo tendo a melhor educação com meus pais, e frequentando boas escolas e universidade, existe uma parte da educação que ninguem poderá te dar: como ser um cidadão global. Essa, meu amigo, você terá que ver com seus próprios olhos. Não existe livro no mundo que poderá te passar essa visão. Você pode ter uma ideia da Índia quando vai a um restaurante indiano ou conversando com um amigo que visitou o lugar. Mas vai entender de verdade, somente quando vivenciar isso na pele, quando andar na rua e todos ficarem te observando com curiosidade.

Por exemplo, enquanto estou escrevendo esse post em um jardim aqui na comunidade ISKON de Mayrpur, estou ouvindo uma música de celebração de um lado, um indiano tirando uma foto minha a uns 2 metros de distância e muitas pessoas passando para o almoço. Isso me lembra que terei que enfrentar uma fila razoável daqui a pouco.

 

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Após 3 meses vivendo na Índia, pela primeira vez reli meu posts e já consigo perceber algumas diferenças de  quando estava no Brasil, já que estou sendo exposto a muitas situações que não pude vivenciar no meu país. Já enfrentei reuniões com diferenças culturais para fechar um contrato de aluguel, já por capricho da minha desatenção, peguei um trem que iria totalmente na direção oposta ao meu destino e tive que dormir no chão do vagão. Já participei do Festival da Sky Lantern e visitei um vilarejo de pintores que produzem sua própria tinta. Entre outras histórias postadas no meu blog.

 

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Mas, enfim, hoje me vejo muito menos estressado, mais focado, e em paz. Acredito cada vez mais que a educação depende muito mais de você e da troca que você faz com o mundo, do que o nome das instituições de ensino que frequenta. Tenho muito mais histórias para contar, acredito cada vez mais no meu potencial de ajudar de alguma forma a sociedade e minha vontade de fazê-lo só cresce.

Viajar. Um experiência que recomendo para todas as pessoas. É só batalhar por isso.

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Leandro Junior é formado em engenharia de Computação pela USP – Analista de Sistemas, Blogger, AIESECER, CouchSurfer, Brasileiro, Sonhador, curioso, orientado a desafios. Suas descobertas podem ser acompanhadas pelo Blog, pela página no Facebook, ou pelo Instagram (Malhado). Quer bater um papo com ele?